Vivência no exterior é bom negócio
Érika dos Anjos, Jornal do Brasil
RIO - Cada vez mais pessoas investem em viagens ao exterior para estudar ou trabalhar a fim de aumentar a experiência e a vivência para que ao retornar ao Brasil encontre mais oportunidades. E é praticamente unanimidade entre empresários e empreendedores a riqueza que este tipo de viagem pode trazer para os executivos e funcionários.
Segundo Luiz Rocha, consultor da Dinsmore Associates quem possui uma experiência consistente no exterior está a frente em um processo seletivo, pois ainda há muito que aprender no exterior.
– No meio profissional, você vê um mundo completamente diferente. Apesar do brasileiro não deixar nada a dever quanto à capacidade, os estrangeiros usam mais a a imagem e se vendem bem melhor do que nós. Nos Estados Unidos, por exemplo, a imagem vale tanto quanto a competência – avalia Rocha, que o período mais difícil para quem volta ao país são os três primeiros meses. – A adaptação acaba se tornando um pouco complicada, mas com o tempo percebe-se que vale muito a pena essa experiência. Você começa a ter um aprendizado diferente, aumenta o nível de qualidade, conhece novas maneiras de negociar, tudo isso que vai beneficiar a atuação dele no mercado brasileiro. E essa avaliação vale tanto para o empreendedor quanto para o funcionário.
Já Ana Paula Castro, gerente da EF Cursos no Exterior do Rio, acredita que o intercâmbio ajuda o profissional a desenvolver, principalmente, a capacidade de resolver problemas e se ver diante de situações novas sozinho.
– O profissional de hoje tem que estar pronto para realizar múltiplas tarefas, ser de fácil adaptação e ter uma visão global. Os responsáveis de RH de algumas grandes empresas declaram também que não basta dominar o idioma inglês ou ainda um terceiro idioma e, sim, conhecer cultura o suficiente para lidar com fornecedores/clientes internacionais.
Oportunidade única
A publicitária Ana Carolina Costa está pela segunda vez na China, onde cursa uma universidade local para aprender mandarim e trabalha para o Instituto de Cooperação Internacional Brasil-China (Icooi). Segunda Ana, o choque de culturas foi muito grande, mas o aprendizado irá valer bastante quando retornar ao Brasil.
– Acredito que o conhecimento do idioma e a vivência na China pesarão no currículo. Convivendo com outros alunos estrangeiros ocidentais, percebe-se que o número de brasileiros - e latino-americanos em geral - é bastante inferior em comparação ao de norte-americanos e europeus. Sei que as realidades são diferentes, mas eles estão bem à frente, não só no domínio da língua, como também no entendimento da lógica chinesa de relacionamento e negócios, algo que só o dia a dia traz – sentenciou a publicitária.
E o esforço de Ana Carolina não foi em vão, no final do primeiro semestre do curso de mandarim, a qualidade do seu trabalho foi reconhecida.
– Fui eleita a segunda melhor aluna da faculdade e convidada para o evento comemorativo pelos 35 anos de relações Brasil–China representando os estudantes brasileiros no país. Um mês depois, ganhei uma bolsa de estudos do governo chinês para cursar o mestrado por aqui – revelou a brasileira orgulhosa.
E não é apenas na Ásia que a experiência é tão enriquecedora, o guia turístico Júlio Theodoro passou 1 ano e meio na Europa e garante que foi um momento úncio tanto pessoal quanto profissionalmente.
– Além de uma melhora expressiva no meu inglês, hoje vejo os turistas com outros olhos. Quando você vai morar fora descobre um novo mundo e abre mais sua visão de mundo – conta Júlio, afirmando ainda que o Rio de Janeiro é um lugar visto de forma especial em qualquer lugar. – Vejo nos turistas com que trabalho aqui no Rio o mesmo brilho no olhar de quando se visita Paris.
Fonte: Jornal do Brasil









